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Conhece a História da Casa da Guia de Cascais?

– contada por Leonor de Lencastre Oliveira, neta do fundador.

O Conde das Alcácoças, com a família.

A casa da Guia foi inaugurada em 1895 por D. José Saldanha Oliveira e Sousa de Rio Maior. Construíu-a para a sua esposa, Bárbara Tavares Proença, que não chegou a habitá-la: faleceu apenas 6 anos antes da conclusão da construção.

D. José decidiu edificar a Casa da Guia depois de ter adoecido. De França, o seu amigo Pasteur, aconselhou-lhe os ares da zona da Guia, onde passava a corrente do “Golf Stream” e de onde as andorinhas nunca saíam, no Verão e no Inverno. Assim, comprou várias parcelas, juntando-as com todas as autorizações necessárias, incluindo uma de Sua Majestade o Rei D. Carlos, Chefe de Estado.

A construção levou vários anos e só os alicerces estiveram à vista durante 9. Depois da inauguração, D. José, agora viúvo, desgostoso e com 5 filhos pequenos, optou por a arrendar.

D. José acabou por falecer em 1912.
A Casa da Guia, ninguém a queria, considerada muito longe de Cascais. Uma das cozinheiras uma vez insurgiu-se com a exclamação de que aquele ermo era muito longe de Cascais e que não ganhava para as solas. A herdade acabou por ficar na posse de uma das suas filhas, D. Mª Teresa, aquando do nascimento do seu 9º filho em Sintra. Por essa altura fizeram-se grande obras na casa, embelezando-a com azulejos e uma grande plantação de cedros e pinheiros; por ano eram plantadas centenas mas apenas vingaram 5.

Não existia casa mais divertida.
À luz das velas e petróleo, a família com 10 criados e 4 mestres de 4 nacionalidades diferentes. Durante a I Grande Guerra, entre 1914 e 1918, nunca houve discussões. Ficavam com frequênciam também na Casa, os primos direitos – os Lavradio e Rio Maior – num tempo em que não havia frigorífico nem máquinas. Ninguém faltava à missa nem ao terço diário.

Sobre os azulejos.
Os azulejos da escada, do alpendre e da estrada eram da Capela da R. S. Bento, do Palácio da Flor da Murta. O Conde das Alcácoças, marido de D. Mª Teresa, comprou-os com licença de Sua Excelência o Cardeal Patriarca Mendes Belo. Os azulejos do frontal da janela da casa de jantar e os restantes das duas salas, haviam sido adquiridos, no Alentejo, pela Viúva de Portugal, e o Conde comprou-lhos sem antes os ver.

A última Dona da Casa da Guia.
D. Mª Teresa de Saldanha Oliveira e Sousa (Rio Maior), Condessa das Alcáçovas, foi a última dona, neta do fundador, tendo morrido em 1973. Gozou dela 78 anos, todos os Verões, com os seus 14 filhos.